30 de set. de 2011

Mantra


Eu só gostaria que me dessem um zloty por cada vez que aqui oiço a frase: "Na Polónia, solidariedade não é uma palavra vã".

29 de set. de 2011

Réveillon em Setembro


Ontem uma amiga convidou-me a ir ter com ela para passarmos o ano juntos. Era véspera de Rosh Hashanah, em que os judeus comemoram o primeiro dia do mundo. Antes do jantar festivo, o rabi fez soar o shofar, para despertar nos presentes o potencial criativo que presidiu à origem do universo. E, depois de uma hora de cânticos, deixou no ar algumas perguntas difíceis: "What is wrong if we are in the right location just at the right time, but our inner self is not able to move? (...) If we only get moved to the point of tears but not the point of action? (...) Will we be able to feel the coming together of the stars, or will we remain deaf and ignorant to the sound of the universal time?"

28 de set. de 2011

Life is a(n urban) beach


Até parece que estou a ouvi-los: “Esperámos muito por este Verão e agora não desenterramos os pés da areia até apagarem as luzes!”

27 de set. de 2011

Parklife


O sol a pingar das árvores. A rasgar-nos os olhos e a cara. A secar-nos a garganta e as palavras. Este domingo, no parque Wilanów, nem o vento soprou, para não acordar o Outono.

26 de set. de 2011

Heróis de palmo e meio


A sua origem remonta ao movimento clandestino "Alternativa Laranja" que, nos anos 80, recorria ao non sense para protestar, de forma pacífica mas subversiva, contra o regime comunista. De símbolo contra-revolucionário a ícone de Wroclaw foi um passo de anão. Os gnomos de bronze reproduzem-se com facilidade e hoje há quase duas centenas espalhadas pela cidade, sendo difícil não tropeçar num deles - literalmente...


25 de set. de 2011

Direito de antena



A todos os interessados: a resposta é sim. Salvo indicação em contrário, todos os textos e fotografias neste blog são originais, que é como quem diz: o espaço que se segue é da exclusiva responsabilidade dos intervenientes.

24 de set. de 2011

Honi soit qui mal y pense


Sobre um terreno doado pelo Imperador Leopoldo, os Jesuítas criaram, em 1670, a Universidade de Wroclaw, famosa pelo seu salão cerimonial “Aula Leopoldina”. Na altura, muitos se levantaram contra a erecção, à entrada da Universidade, da escultura de um jovem desnudo empunhando um sabre. As virgens ofendidas achavam escusado que os alunos encarassem, todas as manhãs, um homem nu e o seu instrumento pontiagudo dependurado (o sabre, entenda-se). Reza a história que foram os argumentos do próprio escultor que mantiveram o jovem de pé – algo em torno da humildade que a nudez representa e da valentia demonstrada pela pose de lutador; uma metáfora do próprio estudante que, reconhecendo necessitar de conhecimento, se esforça por obtê-lo. Ou como diria José Tolentino Mendonça, num texto que me mandou há dias uma amiga, “a pobreza e a ousadia de quem aceita, depois de ter percorrido já uma estrada, considerar que está novamente, e que estará até ao fim, a viver sucessivos pontos de partida”.

23 de set. de 2011

Nunca é só um quem parte



As roupas coladas ao corpo. As mãos demasiado húmidas para se darem. Metade da cidade a lamber semi-frios em desequilíbrio sobre cones de bolacha ressequida. E nós a encontrarmos alívio sob os tectos barrocos da Aula Leopoldina. Tentando suspender o tempo em silêncio, trezentos quilómetros a Oeste da realidade. Fingindo não ter ainda chegado o domingo da despedida.

22 de set. de 2011

O Verão do nosso contentamento


Toda a gente saíu à rua temendo que fosse o último dia de Verão. Deitados junto ao lago do parque Szczytnicki, só nós sabíamos que era o primeiro.

21 de set. de 2011

Wroclaw revisited



Há um ditado que diz que nunca se deve voltar ao lugar onde se foi feliz. Há um outro que diz que não há regra sem excepção.

20 de set. de 2011

Young Poland


Happy, I am happy
And I am laughing till the tears come
Alhough it is almost autumn
I can smell the blooming lilac.

Pintor, dramaturgo, poeta, Stanisław Wyspiański, um dos expoentes do movimento artístico Polónia Jovem, descrevia assim o seu estado de espírito em 14 de Agosto de 1905.

19 de set. de 2011

O Verão é quando o homem quiser


Aspecto de uma urban beach na margem do Vístula, a dois passos da Cidade Velha.

18 de set. de 2011

Home is where the heart is


Diz-se que, sempre que se parte de viagem, a alma demora algum tempo mais a chegar ao destino. Quando regressei a Varsóvia, a minha alma já estava à minha espera.

12 de ago. de 2011

Pausa no expediente


Até Setembro!

11 de ago. de 2011

Poderia ser Amesterdão...


... mas é Gdansk, a antiga cidade hanseática do Báltico, onde se ouviu o primeiro tiro da II Guerra Mundial.



Tomada pelos cavaleiros teutónicos em 1308...



...conquistada pelos polacos em 1466...



...incorporada na Prússia em 1793, após a Segunda Partição...



...independente após a I Guerra Mundial, com o Tratado de Versalhes.

10 de ago. de 2011

Dress code: no smoking


A primeira surpresa foi logo ao entrar na casa nova, quando me avisaram que todo o prédio era uma área de não fumadores. A segunda surpresa foi no dia seguinte, ao ver que a própria paragem do eléctrico, a céu aberto, era uma zona livre de fumo. Hoje já pouco me surpreende, mas aindo estranho quando chego a casa de uma noitada sem a roupa entranhada, como se tivesse passado a noite inteira a assar frango na brasa. A maior parte das discotecas da moda não facilita, pelo que a brasa, quando fumega, fá-lo sempre em local próprio. É caso para dizer: primeiro estranha-se, depois desentranha-se.

9 de ago. de 2011

Visitação da Igreja


Sempre que calha em caminho e me sobra o tempo, entro na Igreja da Visitação, uma das poucas que resistiu incólume à última grande guerra. O interior vale bem uma “visitação” frequente, com o seu púlpito rococo em forma de navio e o seu tabernáculo em ébano e prata. Mas onde acabo sempre por me deter com maior vagar é num quadro pendurado na nave esquerda, de que desconheço o autor. Tão-pouco sei quem é a figura masculina que, com grande desvelo, sustenta nas mãos um bebé de colo, mas é uma personagem que me intriga. Parece tentar compreender o que a criança balbucia e fixa nela o olhar, como se lhe quisesse perscrutar os pensamentos. Sente-se mais pequeno do que aquele que segura nos braços. Sente que, afinal, nada terá para lhe ensinar. Um homem maduro, que se sabe indefeso perante um menino despido, que estende os braços para lhe afagar a barba. Um homem experiente, que nesse encontro vê abaladas as convicções de uma vida inteira. Um homem a quem resta uma única certeza, que o deslumbra tanto quanto o inquieta: a certeza de que viu a luz do mundo.

8 de ago. de 2011

Todos para a mesa



Pergunte-se a uma dezena de polacos a que horas almoçam e ouvir-se-á dez respostas diferentes. Alguns mantêm o costume local de só comer pelas quatro, quando saem do trabalho, enquanto outros optam por estender a toalha sobre o teclado. Mas também há quem partilhe connosco esse hábito da pausa a meio do expediente, justificando a recente adopção nesta terra do neologismo lunch. Em todo o caso, a hora do almoço, que é uma instituição em Portugal, não tem paralelo na Polónia. O obiad, que é a grande refeição do dia, pode ter lugar algures entre o meio-dia e as cinco da tarde. O jantar também não tem hora certa e, não raras vezes, é-se convidado para um kolację muito antes da hora do telejornal. Talvez isso explique porque a maior parte dos restaurantes serve, ininterruptamente, entre as 11 da manhã e as 11 da noite.

7 de ago. de 2011

Onde está o Wlady?


No meio dos frescos que cobrem as paredes e as abóbodas da Capela da Santíssima Trindade, no castelo de Lublin, escondido entre apóstolos, santos e mártires, está o rei Ladislau (Wladislaw) II, que mandou construir a capela, no século XV. Ao turista cabe a tarefa hercúlea de o encontrar.

6 de ago. de 2011

Summer hit



É o êxito deste Verão. De dia, piscina rodeada de lojas de roupa e acessórios de designers locais. De noite, bar de música electrónica com pista de dança ao ar livre. É um objecto não identificado. Chama-se UFO. Precisamente.